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10 passos para estruturar uma governança eficiente em cooperativas Unimed

José Adair Ourives, auditor e sócio da DM

Ao observar o ambiente de cooperativas de saúde, percebe-se que a governança corporativa deixou de ser apenas um requisito regulatório para se tornar um verdadeiro diferencial estratégico. Em um ambiente cada vez mais complexo, regulado e competitivo, estruturar uma governança eficiente é essencial para garantir sustentabilidade econômico-financeira, qualidade assistencial e alinhamento entre cooperados, gestores e conselhos.

O primeiro passo nessa jornada é definir claramente papéis e responsabilidades. A separação objetiva entre Conselho de Administração, Diretoria Executiva e órgãos de fiscalização reduz conflitos, evita sobreposição de funções e fortalece o processo decisório. Cada instância deve compreender exatamente seu papel estratégico, tático ou operacional, respeitando os limites estabelecidos pelo estatuto social e pelos regimentos internos.

Na sequência, é indispensável estruturar conselhos realmente atuantes e qualificados. Isso envolve a definição de critérios técnicos para escolha dos conselheiros, a criação de regimentos internos claros, agendas de reuniões bem definidas e acesso a informações de qualidade. Conselhos preparados conseguem exercer melhor sua função de direcionamento estratégico e de fiscalização da gestão, sempre alinhados aos princípios do cooperativismo médico e a atuação no ambiente de negócio na operação de planos de saúde.

Um terceiro passo fundamental é a instituição de políticas formais de governança, como código de conduta, política de compliance, política de partes relacionadas, integridade, controles internos e combate a conflitos de interesse. Essas políticas funcionam como um mapa de conduta para dirigentes, gestores e cooperados, promovendo ética, previsibilidade e segurança nas relações institucionais.

A aderência às normas da ANS e às boas práticas de mercado é outro requisito fundamental. No contexto das Unimeds, a governança precisa caminhar de forma integrada com as exigências regulatórias, especialmente no que se refere à solvência, provisões técnicas, gestão assistencial e transparência. Tratar a regulação como aliada, e não apenas como obrigação, fortalece a perenidade da cooperativa.

Outro aspecto essencial é a implantação de uma gestão de riscos estruturada, que permita identificar, avaliar e mitigar riscos de subscrição, crédito, mercado, legal e operacional. A governança eficiente antecipa cenários, reduz surpresas e apoia a tomada de decisão com base em dados, indicadores e análises consistentes, especialmente em um setor tão sensível quanto o da saúde.

A transparência e a qualidade da prestação de contas também são pilares centrais. Informações claras, tempestivas e acessíveis fortalecem a confiança dos cooperados, dos beneficiários e dos órgãos reguladores. Relatórios gerenciais, indicadores de desempenho e comunicação efetiva contribuem para o engajamento dos médicos cooperados e para uma relação mais madura com a gestão.

Além disso, é imprescindível investir na profissionalização da gestão, conciliando executivos qualificados com os valores e a cultura cooperativista. Uma governança bem estruturada cria o ambiente adequado para que gestores tenham autonomia responsável, metas claras e mecanismos de avaliação de desempenho alinhados à estratégia da Unimed.

Outro passo muitas vezes negligenciado é o desenvolvimento contínuo dos dirigentes e conselheiros com capacitações em governança, regulação da saúde suplementar, finanças, gestão de riscos e estratégia que fortalecem a atuação dos órgãos de governança e elevam o nível das discussões, trazendo decisões mais técnicas e menos reativas.

A governança deve ser vista como um processo dinâmico. Por isso, é fundamental avaliar periodicamente a efetividade dos órgãos de governança, promovendo ajustes, melhorias e evoluções contínuas. Governança não é um projeto com início, meio e fim, mas um sistema vivo que sustenta a confiança, a perenidade e o futuro das cooperativas Unimed.

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