Resiliência como diferencial estratégico para enfrentar os desafios do mercado 

Em tempos de instabilidade econômica, não são as maiores, mais ricas ou mais antigas empresas que têm vantagens, mas sim as mais organizadas, transparentes e conectadas com sua rede de stakeholders. Resiliência é a capacidade de se adaptar, e no cenário organizacional ela é o resultado direto de uma gestão estratégica, controles eficientes e cultura baseada em confiança e dados fidedignos. 

A persistência da inflação, o aumento das taxas de juros, as mudanças regulatórias e as tensões globais são apenas alguns dos desafios que testam a solidez e a capacidade de adaptação das empresas. Independentemente do modelo de gestão — cooperativas, empresas familiares, startups, franquias ou qualquer outro formato —, organizações que incorporam a resiliência à sua cultura e desenvolvem a habilidade de reprogramar sua rota sempre que necessário se destacam no cenário atual. 

Casos que inspiram

Unimed – Resposta estruturada e coordenada na pandemia 

Com um desafio sem comparação à frente, a Unimed a nível nacional enfrentou riscos significativos durante a pandemia de COVID-19. Com impactos potenciais graves, que iam desde o esgotamento da capacidade de atendimento até perda de receita em procedimentos eletivos por orientação da própria Organização Mundial da Saúde, a cooperativa conseguiu avaliar e responder a tempo com soluções eficazes contra a crise de saúde.  

A adoção rápida de telemedicina, a criação de comitês locais e regionais e a revisão orçamentária em tempo real são apenas alguns exemplos de ações tomadas. Mesmo descentralizada, a Unimed conseguiu operar de forma coesa, com decisões ágeis sustentadas por informações confiáveis, inclusive contando com sérias auditorias internas e externas que asseguraram o uso responsável de recursos e a prestação de contas aos cooperados e órgãos reguladores. 

Embraer – Reinvenção após a ruptura com a Boeing  

Em meio a um processo longo de fusão com a Boeing, que durava mais de 2 anos, a Embraer viu o negócio ser cancelado unilateralmente em plena chegada da pandemia, em 2020. A companhia perdeu 17% de seu valor de mercado em poucos dias e enfrentou incerteza sobre o futuro de sua principal linha de receita. 

Para superar a crise, a empresa de aviação promoveu um forte reposicionamento estratégico e lançou um plano de reestruturação de custos, reduzindo a dependência do segmento comercial. Além disso, acelerou projetos em outros segmentos, como de mobilidade aérea urbana e veículos elétricos de pouso vertical, e acelerou investimento em novos nichos, como defesa e agricultura de precisão. Durante todo o processo, relatórios contábeis auditados foram usados para garantir transparência a investidores e ao governo em processos de financiamento emergencial e revalorização das ações. 

Mondragón – Reação coletiva à quebra de uma das empresas  

Nem mesmo uma das cooperativas mais sólidas e antigas da Espanha deixou de ser colocada à prova. Como um dos impactos da crise financeira global de 2008, a Mondragón Corporación Cooperativa enfrentou um dos maiores choques de sua história, em 2013. Isso ocorreu quando a Fagor Electrodomésticos, uma de suas principais cooperativas industriais, entrou em falência, afetando milhares de postos de trabalho e a imagem do grupo como um todo. 

Como resposta, a Mondragón realocou mais de 1.000 trabalhadores da Fagor para outras cooperativas do grupo, reorganizou a governança interna com mais mecanismos de alerta e transparência e auditou os processos e causas da falência, compartilhando relatórios com todos os cooperados e entidades parceiras.  

Em vez de encerrar operações, a Mondragón respondeu coletivamente, evitando o colapso do sistema todo. O modo cooperativo de atuar, aliado a controles auditáveis e gestão compartilhada, garantiu que a crise de uma unidade não prejudicasse todo o ecossistema. 

Com os pés no presente e os olhos no futuro 

Se a única certeza é a mudança, estimular desde já a inovação e práticas que promovam o pensamento aberto são essenciais para tornar a resiliência um comportamento corporativo. E, nesse processo, a cultura organizacional é a base mais sólida para sustentar a longevidade e a força de qualquer negócio. 

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