Por Sérgio Maffi, auditor e sócio da Dickel & Maffi Auditoria e Consultoria
A avaliação de uma empresa atualmente vai além de olhar para os lucros, e o ESG, sigla em inglês para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) se tornou um pilar fundamental para a longevidade dos negócios. Mas o sucesso dessa estratégia depende de mais do que boas intenções e discursos de compromisso com o tema. Ele exige a participação ativa de profissionais-chave: gestores, contadores e auditores.
O balanço social, que existe desde a década de 80 no Brasil, já trazia muitas das preocupações que hoje compõem o pilar Social e Ambiental. No entanto, o ESG trouxe uma nova camada de profundidade e, principalmente, adicionou um elemento crucial: a Governança, que garante a transparência e a efetividade das ações nos outros dois pilares. E é aqui que a contabilidade e a auditoria assumem um papel de protagonismo, transformando promessas em realidade por meio da checagem dos resultados atingidos.
Para que uma empresa consiga implementar e se beneficiar do ESG, a contabilidade precisa ir além de registrar as operações financeiras tradicionais. O contador se torna um arquiteto da transparência, responsável por:
- gerenciar investimentos e custos: ele precisa identificar, registrar e alocar corretamente os gastos com iniciativas ESG, como a compra de equipamentos, programas de treinamento para colaboradores ou projetos sociais. Isso não só organiza as finanças, mas também permite que a empresa entenda o retorno de seus investimentos.
- quantificar o impacto: a contabilidade traduz ações em números. O contador é o profissional que irá quantificar o impacto de um programa de treinamento, por exemplo, informando o número de horas dedicadas e o custo total. Essa quantificação é crucial para a elaboração de relatórios e para a tomada de decisões futuras.
- elaborar relatórios confiáveis: com as informações corretas, o contador prepara relatórios não financeiros (como o GRI) que mostram o desempenho da empresa nos pilares ESG. Esses documentos são vitais para que investidores, clientes e a sociedade em geral possam avaliar o comprometimento da empresa de forma concreta.
Já o auditor é o guardião da verdade. Sua missão é assegurar que a empresa realmente faz o que diz fazer. Ele desempenha um papel crucial para combater práticas enganosas como o greenwashing (se dizer sustentável sem ser) e o social washing (promover ações sociais que não se sustentam na prática). Para isso, o auditor deve:
- ter uma visão ampla: a auditoria do ESG exige uma visão holística, que vai além dos registros contábeis. O auditor investiga a fundo as evidências das ações, como a existência de um programa de reciclagem real ou a implementação de medidas de inclusão efetivas.
- garantir a transparência: a auditoria valida os dados, os processos e a governança da empresa, reforçando sua credibilidade e a confiança do mercado. Sua análise aprofundada impede que o ESG se torne uma ferramenta de marketing vazia.
- proteger a empresa: ao identificar falhas ou inconsistências, o auditor ajuda a empresa a corrigir o curso, minimizando riscos e evitando danos à reputação e possíveis sanções legais.
Ignorar a contabilidade e a auditoria no processo de ESG é um erro estratégico. A falta de transparência e de evidências concretas pode levar a uma crise de credibilidade, perda de investidores e, em última instância, a um fracasso completo da iniciativa. Ao envolver ativamente esses profissionais, as empresas garantem que sua estratégia ESG não seja apenas um discurso, mas um conjunto de ações autênticas, transparentes e que geram valor real para todos.
