Por Rafael Monguilhott, auditor da DM
Um dos grandes desafios da auditoria não é apenas identificar falhas, mas fazer com que as áreas percebam valor nas recomendações propostas. Em muitas organizações, controles ainda são associados à burocracia, excesso de aprovações e lentidão. A auditoria, por sua vez, é vista como uma área que aparece apenas para apontar problemas e solicitar evidências.
Auditoria e controles internos não existem para travar a operação, mas para proteger o negócio, fortalecer a governança, reduzir riscos e dar mais segurança às decisões. O desafio está em construir uma cultura de controles prática, integrada à rotina e compreendida pelas equipes.
Um erro comum é acreditar que quanto mais etapas, conferências e aprovações existirem, mais seguro será o processo. Na prática, controles em excesso podem gerar retrabalho, atrasos e resistência. Um bom controle é aquele que reduz um risco relevante da forma mais simples, clara e eficiente possível. Para isso, a auditoria precisa atuar como parceira da operação, sem perder sua independência e objetividade. Compreender a realidade dos processos, as limitações dos sistemas e os desafios do dia a dia torna as recomendações mais aplicáveis, mais bem recebidas e mais efetivas.
Engajamento começa pelo entendimento
Quando as equipes compreendem qual risco está sendo tratado e como determinado controle protege a empresa, a operação e o próprio colaborador, o controle deixa de ser visto como uma exigência da auditoria e passa a ser entendido como parte da responsabilidade de todos.
Também é essencial que os controles estejam integrados ao processo, e não operem como uma estrutura paralela. Alçadas configuradas em sistema, segregação de funções, campos obrigatórios, alertas automáticos e trilhas de auditoria são exemplos de mecanismos que aumentam a segurança sem tornar a rotina mais pesada.
Uma cultura de controles madura também exige revisão periódica. Controles antigos, redundantes ou meramente formais podem permanecer ativos mesmo quando já não agregam valor. Controlar bem não significa controlar tudo da mesma forma, mas priorizar os riscos mais relevantes e simplificar sempre que possível.
A liderança tem papel decisivo nesse processo. Se os gestores tratam os controles como burocracia, as equipes tendem a fazer o mesmo, mas quando valorizam processos bem executados, respeitam alçadas, evitam atalhos e apoiam melhorias, fortalecem uma cultura mais segura e responsável.
Bons controles são aqueles que não impedem a empresa de avançar, e sim criam as condições para que esse avanço aconteça com mais segurança, consistência e confiança.
