Por José Adair, auditor e sócio da DM
As fraudes corporativas deixaram de estar restritas a desvios financeiros tradicionais, falsificação de documentos ou esquemas internos. Atualmente, podem envolver:
• Ataques cibernéticos;
• Engenharia social;
• Manipulação de dados;
• Criação de fornecedores fictícios;
• Alteração indevida de cadastros;
• Uso de inteligência artificial para simular comunicações legítimas.
O ponto em comum é que essas fraudes exploram vulnerabilidades existentes nos processos e controles da organização.
Sinais de alerta que gestores devem observar
Situações que, isoladamente, podem parecer normais, merecem atenção quando se tornam recorrentes, como:
1. Pagamentos urgentes fora do fluxo normal
Solicitações para acelerar pagamentos sem seguir os níveis de aprovação definidos podem indicar tentativas de fraude ou de burla aos controles internos.
2. Concentração excessiva de funções
Quando um único colaborador controla diversas etapas críticas de um processo, aumenta-se o risco de erros e fraudes não detectados.
3. Alterações frequentes em cadastros
Mudanças repetidas em dados de clientes ou fornecedores sem justificativas adequadas podem sinalizar irregularidades.
4. Divergências entre relatórios e contabilidade
Inconsistências recorrentes entre informações gerenciais e registros contábeis devem ser investigadas.
5. Processos pouco revisados
Fraudes normalmente se desenvolvem de forma gradual, aproveitando processos desatualizados ou controles que não acompanharam o crescimento da organização.
O papel dos controles internos
Controles internos não devem ser vistos como mera burocracia, pois são mecanismos essenciais para reduzir riscos, garantir conformidade, aumentar a transparência, sustentar o crescimento do negócio e preservar a confiabilidade das informações.
Empresas que monitoram continuamente seus processos conseguem identificar comportamentos atípicos antes que resultem em perdas financeiras ou danos reputacionais.
A auditoria interna e externa como ferramenta de prevenção
A auditoria tem função estratégica ao:
• Avaliar a efetividade dos controles internos;
• Identificar vulnerabilidades;
• Analisar processos operacionais;
• Recomendar melhorias;
• Antecipar riscos emergentes.
Isso é particularmente relevante quando há mudanças tecnológicas, expansão de operações ou alterações regulatórias que modificam o perfil de risco da organização.
Cultura organizacional e ética
Outro ponto importante é que nenhum sistema de controle será totalmente eficaz sem uma cultura organizacional baseada em ética, transparência, responsabilidade, treinamento contínuo e canais seguros de denúncia.
A prevenção à fraude depende tanto de controles formais quanto do comportamento das pessoas dentro da organização.
Conclusão
Fraudes corporativas raramente surgem de forma repentina. Elas normalmente se desenvolvem em pequenos desvios, exceções e fragilidades que passam despercebidas no dia a dia. Por isso, gestores devem adotar uma postura preventiva, baseada em governança, controles internos, monitoramento contínuo e auditoria independente. Investir na prevenção não significa apenas evitar perdas financeiras, mas também proteger a reputação, a credibilidade e a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
