APROPRIAÇÕES CONTÁBEIS MEDIANTE A ALOCAÇÃO DIRETA OU RATEIO

Boletim DM - ano 5
Dickel e Maffi - 2021

Produzir informações contábeis adequadas requer atenção a detalhes e situações que aparentemente podem parecer muito simples, mas, quando se almeja produzir informações fidedignas e úteis, nos deparamos com certas dificuldades que exigem um pouco de esforço para alcançar esse objetivo. O presente boletim se propõe a uma reflexão a respeito da forma como são reconhecidos determinados valores, na contabilidade, que não alteram a situação patrimonial e financeira ou mesmo o desempenho econômico geral da cooperativa, mas, quando visamos às informações por atividade/unidade de negócio ou produtos, se tornam relevantes. Para nos aprofundarmos no assunto, trataremos especificamente de duas formas de apropriação contábil, por alocação direta e por rateio.

Para efeitos do presente boletim, apropriações são os registros efetuados nas contas contábeis, seja através de alocação ou de rateio. A alocação é uma forma de registro de valores que são possíveis de serem identificados com uma atividade/unidade de negócio ou produto sem a necessidade de aplicação de um critério de rateio, e rateio é a forma de distribuição de valores para mais de uma atividade/unidade de negócio ou mais de um produto, mediante critérios previamente estabelecidos, os quais, via de regra, carregam elevado grau de subjetividade.

As informações geradas, decorrentes de registros efetuados por meio de alocação direta, na maior parte dos casos, merecem maior credibilidade em relação às informações que resultam de registros efetuados mediante aplicação de critério de rateio.

Sobre a prática de alocar valores às atividades/unidades de negócios e aos produtos, podemos afirmar que é assunto inquestionável, que se apresenta no contexto da contabilidade como “coisa natural”, normal, inevitável, enquanto a prática de rateios é algo que, em muitas situações, pode ser classificado como dispensável ou mesmo não recomendável. Portanto, a importância da alocação é fundamental, enquanto a do rateio é relativa, pois depende de uma série de aspectos.

A definição do modelo ou padrão de análise das informações contábeis é fator determinante para definir a respeito da aplicação ou não de determinados rateios. Na contabilidade das cooperativas, em função da necessária segregação dos resultados entre atos cooperativos e não cooperativos, a adoção de critérios de rateios é indispensável, mas, neste boletim, tratamos do tema sem levar em consideração os aspectos fiscais, que até poderemos tratar em outro boletim, haja vista a sua importância.

Insistimos em destacar que o assunto rateio é de grande importância porque, a depender dos critérios que forem adotados, ao contrário de produzir uma informação adequada, poderá resultar em distorções com repercussões sobre a credibilidade das informações contábeis ou até mesmo levar a administração a tomar decisões erradas ou inibir que decisões sejam tomadas.

CONTINUA…

Erni Dickel
Sócio Responsável Técnico

DICKEL e MAFFI – Auditoria e Consultoria SS

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