Por que o estoque é um dos pontos mais críticos em auditoria? 

Quando se fala em auditoria de demonstrações financeiras, poucos itens geram tanta atenção e, às vezes, preocupação quanto o estoque. Para muitas empresas, ele representa uma das maiores contas do ativo e impacta de forma relevante o resultado do período. Por isso, qualquer imprecisão pode distorcer a saúde financeira apresentada aos gestores, aos investidores e ao mercado. Confira pontos essenciais sobre mensuração e auditoria de estoques trazidos pelo auditor independente da DM Anderson Pianesola, incluindo a aplicação de valor justo a ativos biológicos e commodities agrícolas, à luz da NBC TG 16 (R2). 

“O estoque é crítico na auditoria, pois influencia diretamente os resultados e os indicadores financeiros. Qualquer erro pode distorcer a saúde econômica da empresa, exigindo mensuração rigorosa e controles robustos para reduzir os riscos.” Anderson Pianesola, auditor da DM 

Estoque: risco e atenção 

O estoque geralmente é uma das maiores contas do ativo circulante e influencia diretamente a percepção de liquidez e o resultado do período. Qualquer erro pode distorcer indicadores como liquidez corrente e margem de lucro. Além disso, processos complexos, como entradas, saídas, produção, perdas e inventários, aumentam o risco de falhas. Em auditoria, é preciso compreender que uma diferença aparentemente pequena pode gerar impactos relevantes no Custo da Mercadoria Vendida (CMV) e, consequentemente, no lucro. 

NBC TG 16 (R2): conceitos que sustentam a mensuração 

A norma define estoques como “ativos mantidos para venda, em produção ou consumo”. A regra geral é mensurar esses ativos pelo menor valor entre o seu custo e o Valor Realizável Líquido (VRL). O custo inclui gastos para aquisição (preço, tributos não recuperáveis, frete, seguro) e transformação (mão de obra direta e custos indiretos). Reduções ao VRL devem ser reconhecidas no resultado sempre que identificadas e podem ser revertidas se o VRL aumentar. Políticas contábeis e divulgações completas são obrigatórias. 

Custo x Valor Realizável Líquido: quando ajustar e como estimar 

O custo pode não ser recuperável diante de obsolescência, queda de preços ou aumento nos custos de venda. A estimativa do VRL considera preço líquido de venda menos custos de conclusão e despesas para vender. Contratos firmes podem ser usados para identificação de VRL das quantidades cobertas; excedentes seguem preço de mercado. Eventos posteriores à data base podem confirmar condições existentes e devem ser considerados. 

Valor Justo para ativos biológicos e commodities agrícolas 

Exceções à regra geral incluem ativos biológicos (como suínos, bovinos e aves) e produtos agrícolas (como soja, milho, trigo e café). Nesses casos, a mensuração ocorre pelo valor justo descontado dos custos de comercialização, refletindo condições de mercado. As variações no valor justo impactam de forma direta e relevante no resultado, exigindo controles robustos e evidências confiáveis de preços. 

Cooperativas agropecuárias: responsabilidade social e particularidades contábeis 

Quando falamos de cooperativas agropecuárias, estamos tratando de algo que vai além da técnica contábil: responsabilidade social. Essas entidades representam a produção de milhares de produtores e suas famílias, sendo um elo essencial para a economia regional e para a sustentabilidade do agronegócio. Cada decisão contábil reflete diretamente na confiança que esses cooperados depositam na gestão da cooperativa. 

Um ponto sensível é a mensuração dos estoques que ainda não foram adquiridos formalmente pela cooperativa. Diferentemente de empresas tradicionais, entende-se que a cooperativa é uma extensão do cooperado e, por isso, esses produtos podem ser reconhecidos como estoques da cooperativa mesmo antes da compra efetiva. No entanto, é fundamental observar um princípio básico: o valor atribuído a esses estoques deve ser exatamente o mesmo valor da obrigação da cooperativa para com o cooperado pela aquisição desses produtos. Essa simetria garante que não haja distorções patrimoniais ou de resultado. 

A norma ITG 2004 reforça a necessidade de controles rigorosos para assegurar transparência nas informações geradas. Além disso, é imprescindível manter registros claros sobre contratos, condições de compra futura e responsabilidades assumidas. Esse cuidado não é apenas técnico, mas ético, pois preserva a relação de confiança com milhares de famílias que dependem da gestão responsável para manter sua renda e sustento. 

Procedimentos indispensáveis de auditoria  

A auditoria deve assegurar que os saldos reflitam a realidade. Isso envolve observação de inventário físico, conciliação entre sistema e físico, verificação de precificação e revisão das políticas contábeis de mensuração. Também é essencial analisar riscos como obsolescência, itens sem giro e perdas anormais, garantindo divulgações completas e consistentes. 

Boas práticas para reduzir riscos 

Para assegurar confiabilidade na mensuração e auditoria de estoques, algumas práticas são fundamentais.  

  • Inventários periódicos e contagens rotativas: estabeleça um calendário fixo para inventários físicos, incluindo contagens cíclicas para itens críticos ou de alto valor. 
  • Integração de sistemas: garanta que os módulos de compras, produção, estoque e vendas estejam integrados, evitando divergências entre registros físicos e contábeis. 
  • Segregação de funções: separe responsabilidades entre quem registra, quem movimenta e quem audita os estoques, reduzindo riscos de fraude ou erro. 
  • Políticas contábeis claras e revisadas: documente métodos de custeio, critérios para redução ao VRL e procedimentos para mensuração a valor justo. 
  • Monitoramento de riscos específicos: mantenha uma matriz de riscos para estoques, incluindo obsolescência, perdas anormais, sazonalidade e volatilidade de preços. 
  • Auditorias internas regulares: realize revisões internas para validar controles, políticas e conformidade com normas como NBC TG 16 e ITG 2004. 
  • Treinamento contínuo da equipe: capacite colaboradores sobre procedimentos de inventário, mensuração e controles internos. 
  • Relatórios gerenciais detalhados: gere relatórios periódicos com indicadores como giro de estoque, datas de validade, itens sem movimento e margem por produto. 
  • Comunicação transparente com cooperados: no caso das cooperativas, mantenha canais claros para informar políticas de mensuração, prazos e condições de compra, reforçando a confiança. 

Se precisar de ajuda na auditoria, entre em contato. 

Deixe seu comentário.

Descubra mais sobre DICKEL & MAFFI - Auditoria e Consultoria

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading