Nos últimos anos, os auditores passaram a conviver com um paradoxo: nunca houve tanta informação disponível e ao mesmo tempo tão pouca previsibilidade. Eventos climáticos, ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados, pressões regulatórias constantes e modelos de IA que transformam processos internos em velocidade recorde colocaram os riscos emergentes no centro das discussões sobre transparência corporativa.
Hoje, o auditor não examina apenas controles tradicionais ou estimativas contábeis. Ele precisa interpretar sinais, compreender negócios em rápida evolução e traduzir incertezas em divulgações úteis para investidores, bancos, conselhos e demais usuários das demonstrações financeiras.
Mesmo novos, manter atenção sobre riscos emergentes, como ESG, tecnologia e fraude, é essencial em um mercado cada vez mais veloz. Confira um guia inicial sobre como tratar pontos como esses no relatório do auditor.
O que é um risco emergente?
São riscos que apresentam ambiguidade, rápida evolução e pouco histórico, como fenômenos climáticos extremos, novas exigências de reporte ESG, dependência crescente de IA, vulnerabilidades de cibersegurança e esquemas de fraudes digitais.
Para o auditor, isso demanda que se amplie o julgamento profissional, aprofunde conversas com a governança e considere mudanças de comportamento organizacional que podem afetar premissas contábeis.
Evidências em ambientes de baixa previsibilidade
Mesmo quando o risco ainda não gerou impacto direto nos números, o auditor precisa avaliar como a empresa está mapeando, medindo e prevenindo esses cenários.
Algumas abordagens importantes incluem revisão da matriz de riscos corporativos, acompanhando novas regulações, mapeando dependências tecnológicas críticas, avaliando riscos de fraude decorrentes de pressão por resultados e incorporando cenários climáticos e de continuidade operacional; entrevistas com áreas estratégicas, como TI, sustentabilidade, compliance, jurídico e operações, que ajudam a revelar riscos ocultos; e testes de controles sobre novos processos, especialmente relevantes quando há uso de IA, automação, digitalização, terceirização.
Mensuração e divulgação dos riscos emergentes
A mensuração pode assumir diferentes formatos, dependendo do estágio do risco, e pode causar impacto financeiro direto, impactos qualitativos com reflexos futuros ou impacto nas estimativas e hipóteses.
E a divulgação precisa ser clara, objetiva e relevante, que inclua descrição do risco de forma neutra, explicação da sua relevância na organização, detalhamento da resposta de auditoria com caminhos viáveis para conter possíveis danos e destaque para a governança envolvida. Nesse cenário, a maturidade da gestão para lidar com riscos ESG, tecnológicos ou de fraude é parte essencial da transparência.
